CHAVES: João Escoval apurado para Chefe Cozinheiro do Ano

2020-07-16 16:18:39

Com 39 anos e responsável pelo Restaurante Abajur, em Chaves, João Escoval está entre os 18 concorrentes apurados para Chefe Cozinheiro do Ano, o mais importante concurso de gastronomia portuguesa.

Nasceu em Mirandela, e já em criança deitava o olho aos cozinhados da mãe e das irmãs. João Escoval descobriu o gosto pela cozinha enquanto lavava a loiça, uma tarefa que não gostava, mas que desempenhava sempre que se comportava mal ou «chumbava» de ano na escola primária. Entre a lavagem de pratos e copos o que lhe fascinava mesmo era tocar nos tachos e provar a comida. O pequeno João já nessa altura gostava de dar a sua sugestão, mal ele sabia que, no futuro, seria chef de cozinha.

Foi nadador salvador, eletricista e trabalhou na construção civil. Com apenas 16 anos pediu à mãe para o inscrever no curso profissional de cozinha em Bragança. Terminou com média de 19 valores. Não lhe faltaram propostas de emprego, e em pouco tempo começou a trabalhar na Casa da Calçada, em Amarante com o Chef Cordeiro, onde conseguiram uma Estrela Michelin em 2004. No ano seguinte, voltou a sentir o sabor a mais uma estrela, agora no Restaurante Eleven em Lisboa. Foi convidado a chefiar um restaurante Gourmet em Albufeira, o Pérgula, inserido no Hotel Grande Real Santa Eulália, onde viria a conhecer como cliente, o seu próximo patrão.

DO ALGARVE À SUA TERRA NATAL

João Escoval voltou a ser convidado para chefiar, desta vez no Restaurante Flor de Sal em Mirandela. “Um restaurante lindo onde durante dois anos seguidos conquistamos o Garfo de Ouro”.

“DE MOCHILA ÀS COSTAS” ATÉ NICE, EM FRANÇA

Numa aventura de “mochila às costas” e sem saber falar línguas, arrancou para Nice, sul de França. O seu currículo profissional falava por si, mas para gerir uma equipa tinha que falar, pelo menos a língua francesa. Seguiram-se meses de alguma aflição em que se viu “obrigado” a trabalhar, a custo zero, simplesmente para aprender Francês. “Andou de cavalo para burro” para mais tarde conseguir o salto tão merecido. “Em mês e meio já arranhava o Francês, então fui a uma entrevista em que precisavam de um chefe de cozinha particular para o dono da Rolex. Tal como muitos outros estive durante um mês em teste e acabei por ser selecionado para ser o Chef Executivo da Empresa Rolex”.

AS SAUDADES DE PORTUGAL

Após um ano e meio voltou ao Algarve para chefiar o Hotel Alfagar um empreendimento de quatro estrelas superior. Mas este regresso a Portugal trazia novidades e novas conquistas. Em 2014 chega a Chaves, em Trás-os-Montes, para abrir o seu próprio Restaurante, o Abajur.

A COZINHA TRANSMONTANA “PURA E RICA”

O chef Escoval tem como prato preferido Arroz de Cabidela embora goste mais de cozinhar peixe e mariscos. Em casa, o primeiro prato que confecionou foi Azedo (um enchido) assado na brasa com batatinhas à murro e espigos, um prato típico transmontano. Já no seu restaurante, serviu arroz malandro de tamboril e gambas. Para ele, a cozinha transmontana é genuína, pura e rica em sabor e conhecimento.

Aos 39 anos, João Escoval candidata-se pela primeira vez ao concurso Chefe Cozinheiro do Ano e consegue ser apurado. “Gosto de desafios e de pressão. É um objetivo meu mostrar que a partir de uma cozinha caseira tradicional podemos fazer uma alta cozinha, cozinha elaborada»”, refere o chef cujo lema é tradição com inovação.

O concurso Chefe Cozinheiro do Ano acontece anualmente e pretende valorizar os cozinheiros e a gastronomia nacional. Os 18 concorrentes apurados irão participar nas três etapas regionais (Norte, Centro, Sul e Ilhas) de onde sairá o vencedor da 31ªedição.



Texto: Sara Esteves

 


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