CHAVES: QUE POLÍTICA PARA A REGIÃO

2021-02-19 17:34:12

RUBRICA QUE POLÍTICA PARA A REGIÃO – PCP-PEV

PERGUNTA Nº6: Avizinham-se eleições, como se analisa o perfil dos eleitores da região com a abstenção a aumentar?

São várias as causas da abstenção, sendo que as locais não diferem, no essencial, das nacionais.

É verdade que há uma diferença significativa entre a população com mais de 18 anos, que existe na realidade e aquela que consta nos cadernos eleitorais. Tal deve-se, principalmente, às migrações para outras regiões do país ou mesmo para o estrangeiro.

Mas na realidade há um numero significativo de eleitores, que estando no concelho na altura das eleições, não exercem o seu direito e o seu dever cívico. Um direito que custou tanto a conquistar, uma das riquezas maiores que nos deu a revolução de Abril, e pelo qual os comunistas tanto lutaram.

O envelhecimento da população pode explicar, muito parcialmente, a abstenção. Não se conhecem no entanto estudos que suportem esta hipótese e há a percepção de que a abstenção é transversal a todas as idades.

A crescente tendência da abstenção tem múltiplas causas:

Seguramente que a despromoção da dignidade da actividade política, que se vai divulgando aos mais diversos níveis, na imprensa, nas redes sociais, nas conversas e convívios, tem um papel negativo. A noção de que tanto faz, de que não vale a pena, de que são todos iguais, que tudo prometem e nada cumprem... Para os mais novos, a educação política e cívica tem vindo a diminuir na escola, como na família.

A maior promoção do individualismo e a desvalorização do trabalho em comum e para o bem comum, afasta os eleitores das urnas.

Uma sociedade em que o convívio social e comunitário, a promoção da cultura humanista estão tão desvalorizados, não ajuda à participação eleitoral.

Na actual situação pandémica, o confinamento que se tem aprofundado e prolongado no último ano, condiciona a participação comum, os debates, as actividades culturais e necessariamente a política. O receio da contaminação no acto eleitoral tem de ser combatido e devem ser criadas condições seguras que impeçam que tal receio agrave a abstenção

Mas a questão essencial, que afasta os cidadãos da participação eleitoral, tem realmente a ver com a dissociação entre o que se promete e o que se cumpre, com a facilidade com que se usa e abusa de slogans irrealistas e demagógicos. Com a mudança de postura quando se passa da oposição para o poder, a falta de vontade e de capacidade de envolver os cidadãos na participação activa nas decisões da autarquia, ou mesmo na sua implementação. Na dificuldade em falar a verdade, não temendo as suas consequências não procurando nos artefactos da linguagem, dissimulações que só afastam os eleitores da política. É necessário reencontrar uma linguagem e um discurso perceptíveis, frontais e acessíveis à percepção do cidadão comum.

Este afastamento dos cidadãos é do interesse dos poderes instituídos e permite perpetuar políticas injustas que prejudicam os trabalhadores e o povo e que só beneficiam os que vivem à custa do trabalho dos outros.

Temos de romper com uma intervenção política condicionada pelas sondagens e pela pressão das redes sociais. Uma política que vá ao encontro das reais necessidades das populações, em especial dos mais humildes e desprotegidos.

Tem sido esta a postura da CDU, nas campanhas e fora delas, procurando que cada eleitor, que lhe confia o seu voto, o faça com a confiança da utilidade desse voto e de que nunca a CDU e os seus eleitos faltarão ao compromisso, que é há muito o seu lema «trabalho, honestidade, competência».

 


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