MONTALEGRE: Município entregou 140 mil euros aos produtores de raça barrosã

2021-10-02 10:18:31

Único concelho com aumento na produção pecuária, a autarquia de Montalegre, com o apoio da Coopbarroso - Cooperativa Agrícola do Barroso, entregou aos agricultores pecuários uma ajuda por cada cria desta raça autóctone nascida em território concelhio.

A ação foi oficializada, ao ar livre, no parque do Torrão da Veiga, em Salto. São cerca de 140 mil euros, montante que pretende contribuir para a fixação de pessoas e para o desenvolvimento da produção agropecuária. A jornada contou com as presenças - para além da Câmara e da Coopbarroso - da Associação Nacional de Criadores de Gado de Raça Barrosã, AMIBA (Associação dos Criadores de Bovinos de Raça Barrosã) e das juntas de freguesia de Salto, Montalegre, Ferral e Venda Nova. Recorde-se que esta ação era para ser realizada no passado mês de julho tendo sido adiada devido à crise pandémica.
O Presidente da Câmara de Montalegre, Orlando Alves, começou por dizer que «dada a circunstância de termos tido um ato eleitoral e ainda devido à pandemia, esta cerimónia só agora foi realizada. Não quisemos que fossemos entendidos como alguém que vem fazer política com o dinheiro da Câmara. Nesse sentido, concertamos com a Coopbarroso para que estes prémios fossem distribuídos nos dias seguintes ao ato eleitoral. Tenho que dar os parabéns aos produtores pecuários porque o mérito de todo este crescimento da raça barrosã é deles. Os apoios da Câmara Municipal têm ajudado a este mesmo crescimento e a construir esta marca identitária do concelho de Montalegre.»
Nuno Sousa, Presidente da Coopbarroso, também marcou presença e para este «são prémios merecidos». «Temos assistido a um aumento dos efetivos de raça barrosã no concelho. Isto significa que estamos com a política correta. Significa, também, que a Coopbarroso está a trabalhar no bom sentido, em parceria com a Câmara de Montalegre. Quem beneficia deste trabalho são os nossos produtores. Temos observado a instalação de jovens agricultores. São perto de 1.400 vitelos registados. Houve um acréscimo significativo. É bom sinal.»
José Leite, Secretário Técnico do Livro Genealógico da Raça Barrosã, fez questão de salientar: «Tenho duas palavras para dizer. Uma espetacular e outra extraordinária».
José Leite disse ainda: «tenho 41 anos de trabalho com a raça barrosã, principalmente nesta região onde reside o solar da raça. Estas pessoas de Salto merecem uma estátua por serem resilientes e também por serem aqueles indivíduos que conseguem manter um efetivo extraordinário. São pessoas que têm resistido porque estamos a falar de uma raça que teve, durante muitos anos, problemas gravíssimos de apoios. Senão vejamos: há 40 anos, um vitelo valia 100 contos. Hoje vale o mesmo, isto é, 500 euros. Os custos com a produção multiplicaram-se. Não é só o gasóleo, nem a eletricidade. Tudo o resto multiplicou-se. Esta gente foi sempre resiliente, porque é uma carne de excelência, mas muito má paga. Este apoio da Câmara de Montalegre veio ajudar a colmatar. Bem-haja a Câmara que teve esta ideia de apoiar estes agricultores. Outros concelhos limítrofes também o estão a fazer, copiando Montalegre. Este apoio fixa também as populações.»

 


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